Tabelas e Resultados

30 de mar. de 2008

Futebol brasileiro: a fonte está secando!


Muitos se questionam qual será a solução para acabar com a saída imatura de nossos jovens jogadores brasileiros, que nascem nos famosos terrões e quando mal se tornam profissionais,
já se transferem precocemente para a Europa.

Sabemos que atualmente no Brasil os clubes passam por enormes crises financeiras e desorganizações. Porém não podemos apenas jogar a culpa na falta de dinheiro do futebol Brasileiro, mas sim nos dirigentes e empresários que se aproveitam fazendo a cabeça dos pais dos garotos só para poder levar “O SEU”, tornando ainda mais fácil a saída de nossos jovens craques, que infelizmente acabam sendo atraídos por grandes mentiras e falcatruas que podem até acabar com a carreira e com os sonhos deste jovem de, quem sabe um dia se tornar um Imperador Adriano, um Fenômeno Ronaldo ou porque não o novo REI do Futebol.

É óbvio que se eu tivesse uma grande chance de jogar em um clube campeão de fora e receber um salário acima do nível do nosso país eu iria me interessar, mas pensaria 10x antes, onde estaria me metendo, se aquela proposta faria bem para minha vida e para minha família. Mas não é o que acontece hoje, pois o grande agravante é que os garotos não pensam na mudança radical que ocorrerá em suas vidas. Por isso dos jovens que vão para o Velho Continente cedo fracassam a maioria deles, não por não jogar bem, mas sim por não ter experiência ou maturidade para viver longe do Brasil. Não dá para quantificar quantos craques perdemos nesta situação.

Ao ler os noticiários há alguns dias me deparei com a manchete: “Willian diz: quero voltar para o Corinthians”. Eis aqui um recente exemplo do que estou tentando deixar claro neste texto. Para quem não conhece, Willian é um garoto prodígio de grande habilidade, mas que jogou pouquíssimos jogos como profissional pelo timão e logo se transferiu para a Ucrânia, onde não de adaptou. E declara que está desesperado para voltar ao seu país de origem.

Outro jogador que acredito ser pertinente a citar é o garoto Nilmar. Ele é o típico jogador que tem potencial, mas foi muito cedo para a Europa. Se não fosse o retorno ao Corinthians, sua carreira sofreria, após o seu mau desempenho no Lyon. Se não fosse sua volta ao Brasil, ele poderia jogar em times de segunda linha da Europa.

No início do ano, dois jovens talentos, Celsinho (ex-Portuguesa) e Anderson (ex-Grêmio) foram negociados para a Europa. Aos 17 anos, se fracassarem na Europa, serão desperdiçados dois jogadores que poderiam ser lapidados e se tornarem craques.

Eu sei que não se pode impedir que os atletas sigam para a Europa e ganhem dinheiro, mas está na hora que dirigentes e empresários pensem na carreira dos seus jogadores. Seria muito mais vantajoso que os jogadores ficassem mais tempo no Brasil, ganhassem experiência e maturidade e aí fossem para a Europa. Além de terem mais chances de fazer sucesso na Europa, eles poderiam ser vendidos por quantias mais elevadas.

Outro fator que inibe o surgimento de novos craques é a decadência das divisões de base de alguns times que sempre foram celeiros de jogadores. No interior de São Paulo, há muito tempo clubes como Ponte Preta, Guarani, Ferroviária, XV de Jaú, e poderia ampliar a lista a quase uma centena de equipes, não revelam um grande jogador. Hoje só consegue iniciar carreira, o jovem que tem um empresário e, por isso, vários desses clubes transformaram seus departamentos amadores em vitrine para empresários. Ou seja, os clubes deixaram de lado a formação de atletas para se tornarem casa de jogadores de empresário. Sem falar no final de futebol de várzea, que era uma grande escola, onde os jovens aprendiam muito de futebol.

Ainda seremos por muito tempo o país do futebol, mas já está na hora de se tomar alguma providência, pois neste ritmo, em menos de 30 anos, não seremos os melhores do mundo.


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